Uma data para lembrar as vítimas, conscientizar sobre os riscos da radiação e reforçar a importância da proteção radiológica.
O dia 13 de setembro é marcado no calendário brasileiro por uma lembrança que ultrapassa a história da Radiologia e da Medicina: é o Dia Nacional de Luta dos Acidentados por Fontes Radioativas, instituído pela Lei nº 12.646, de 16 de maio de 2012.
A escolha da data está diretamente relacionada ao acidente radiológico de Goiânia, ocorrido em 13 de setembro de 1987 e envolvendo uma fonte de Césio-137 (Cs-137) abandonada nas instalações do antigo Instituto Goiano de Radioterapia.
O acidente com o Césio-137
Em 1987, um equipamento contendo uma fonte radioativa foi encontrado nos escombros de uma antiga clínica de radioterapia que havia sido abandonada.
Sem conhecimento sobre o perigo envolvido, o equipamento foi retirado do local e posteriormente desmontado. Durante esse processo, a cápsula que continha o material radioativo foi rompida.
O material contendo Césio-137, que emitia uma característica luminosidade azulada, acabou sendo manipulado e distribuído entre diferentes pessoas. Dessa maneira, a contaminação se espalhou por meio do contato direto e também pela circulação de objetos e materiais contaminados.
O episódio provocou graves consequências para a população de Goiânia, incluindo mortes, contaminações e impactos que permaneceram por muitos anos.
O acidente é considerado o maior acidente radiológico ocorrido no Brasil e um dos mais importantes acidentes envolvendo fontes radioativas fora de instalações nucleares.
O que é o Césio-137?
O Césio-137 é um radionuclídeo que emite radiação ionizante e possui diversas aplicações relacionadas à tecnologia e à medicina.
Historicamente, fontes de Césio-137 foram utilizadas em equipamentos de radioterapia e em outras aplicações que exigem uma fonte radioativa controlada.
É importante compreender, entretanto, que a radiação ionizante não é sinônimo de perigo quando utilizada de maneira controlada. A Medicina utiliza radiações ionizantes em diversas áreas, como a Radiologia, a Medicina Nuclear e a Radioterapia, proporcionando importantes benefícios para diagnóstico e tratamento.
O risco está relacionado, entre outros fatores, à dose, ao tempo de exposição, à distância, ao tipo de radiação e às condições de controle da fonte.
Por isso, a utilização de materiais radioativos exige conhecimento técnico, regulamentação, monitoramento e rigorosos procedimentos de segurança.
Uma tragédia que também ensinou
O acidente de Goiânia demonstrou de maneira dolorosa a importância da proteção radiológica.
Fontes radioativas não podem ser tratadas como objetos comuns. Quando uma fonte é perdida, abandonada, descartada de maneira inadequada ou manipulada por pessoas sem conhecimento dos riscos, as consequências podem ser extremamente graves.
A tragédia também evidenciou a importância de manter sistemas eficientes de controle, identificação, armazenamento, transporte e descarte de fontes radioativas, além da necessidade de treinamento dos profissionais envolvidos.
Para quem trabalha ou estuda Radiologia, Medicina Nuclear, Radioterapia e outras áreas que utilizam radiação ionizante, o acidente de Goiânia permanece como um importante exemplo histórico da necessidade de uma cultura permanente de segurança.
Muito além de uma data
O Dia Nacional de Luta dos Acidentados por Fontes Radioativas não deve ser visto simplesmente como uma data comemorativa.
É, sobretudo, um momento de memória, respeito e conscientização.
As pessoas atingidas pelo acidente carregaram e ainda carregam consequências físicas, psicológicas e sociais relacionadas à tragédia. Ao instituir oficialmente a data, a legislação brasileira reconheceu a necessidade de manter viva a lembrança daqueles que foram afetados.
Lembrar o acidente de Goiânia significa também reconhecer a importância da informação.
A importância da proteção radiológica
A história do Césio-137 nos lembra que a segurança começa antes mesmo da exposição à radiação.
Conhecimento, treinamento, fiscalização, responsabilidade profissional e respeito às normas de proteção radiológica são fundamentais para reduzir riscos.
Na área da saúde, o princípio fundamental é buscar que a utilização da radiação proporcione benefício ao paciente e à sociedade, mantendo as exposições tão baixas quanto razoavelmente possível, dentro dos princípios da proteção radiológica.
13 de setembro: lembrar para prevenir
Mais de três décadas depois do acidente de Goiânia, a história do Césio-137 continua sendo estudada por profissionais e estudantes das áreas de Radiologia, Física Médica, Engenharia, Medicina, Saúde Pública e Proteção Radiológica.
Mas essa história não deve ser lembrada apenas como um acontecimento do passado.
Lembrar é também prevenir.
O dia 13 de setembro representa uma oportunidade para homenagear as vítimas e sobreviventes, reconhecer a importância da segurança no uso das radiações ionizantes e reforçar uma mensagem fundamental:
"A radiação pode salvar vidas quando utilizada corretamente, mas exige conhecimento, responsabilidade e respeito aos princípios de proteção radiológica"
Que a memória do acidente com o Césio-137 continue contribuindo para uma cultura cada vez maior de informação, prevenção e segurança.
13 de setembro — Dia Nacional de Luta dos Acidentados por Fontes Radioativas.
